3 de set. de 2010

Insana

Oh paixão insana;
Que do meu precioso corpo devora;
Toma-te meu corpo;
Faça dele tua morada;
Leva-me a loucura do prazer;
Matiz é o nosso amor;
Meu corpo se insana;
Meus olhos, lábios, minha respiração, meu cheiro gritam loucamente;
Ao som dos pássaros, do balanço da copa das árvores, do embolado do riacho;
Deleito-me em teus braços;
Sinto teu perfume;
Tua mão;
Teu corpo;
Teu calor;
Tua volúpia;
Nos embriagamos em beijos eloquentes;
Fazendo loucuras;
Extravasando nosso amor;
Esquecendo o mundo;
Vivendo...

Deusely Libório

Escarlate

A alma cansada já não levanta vôo como dantes; A alma sangrando com fardo pesado nas costas vai caminhando lentamente mancando, solitária pela estreita estrada deserta de chegada não se sabe donde; Nos campos secos cor de palha, cansada, sedenta de sede uma sombra deseja para pousar e descansar; O sol impiedoso; As moscas se alimentam da ferida dolorida; A morte a vista, lenta corta cada nervo, cada ligamento, cada pulso num manejo fadonho; Os pés tropeçam bêbados do cansaço; Boca seca, lágrimas de sangue escorre pela face amedrontada, lava do peito aos pés e pinta de escarlate o rastro fétido insignificante; Na mente borbulha ácido que corroi a sanidade; A respiração ofegante trás com ar impuro, ronco engasgado das narinas e da garganta rasgadas pela sede...; O corpo desengonçado caiu como uma árvore derrubada; De longe, se olho tivesse, poder-se-ia ver o corpo caído agonizando os últimos sopros; Em seus olhos de pavor e tristeza uma pergunta gritava... Deusely Libório