3 de set. de 2010

Escarlate

A alma cansada já não levanta vôo como dantes; A alma sangrando com fardo pesado nas costas vai caminhando lentamente mancando, solitária pela estreita estrada deserta de chegada não se sabe donde; Nos campos secos cor de palha, cansada, sedenta de sede uma sombra deseja para pousar e descansar; O sol impiedoso; As moscas se alimentam da ferida dolorida; A morte a vista, lenta corta cada nervo, cada ligamento, cada pulso num manejo fadonho; Os pés tropeçam bêbados do cansaço; Boca seca, lágrimas de sangue escorre pela face amedrontada, lava do peito aos pés e pinta de escarlate o rastro fétido insignificante; Na mente borbulha ácido que corroi a sanidade; A respiração ofegante trás com ar impuro, ronco engasgado das narinas e da garganta rasgadas pela sede...; O corpo desengonçado caiu como uma árvore derrubada; De longe, se olho tivesse, poder-se-ia ver o corpo caído agonizando os últimos sopros; Em seus olhos de pavor e tristeza uma pergunta gritava... Deusely Libório

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