"...por um cavalo...
Copreendi muito bem o que diziam a respeito dos açoites e do cristianismo. Mas ficou completamente obscuro para mim a palavra "seu",
pela qual pude deduzir que estabeleciam um vínculo a ligar-me ao chefe
das cavalarias. Então, não pude compreender de modo algum em que
consistiria tal vínculo. Só muito depois, quando me separaram dos outros
cavalos, é que expliquei a mim mesma o que aquilo representava. ...
...aquele que puder aplicar a palavra "meu"
a um número maior de coisas, segundo a convenção feita, considera-se a
pessoa mais feliz. Não sei por que as coisas são desse modo; mas sei que
são assim.
...O homem diz "minha casa", mas nunca vive nela;
preocupa-se apenas em construi-la e mante-la. O comerciante diz "minha
loja", ou "meus tecidos", por exemplo, mas não faz suas roupas com os
melhores tecidos que vende na loja. Há pessoas que chamam sua uma
extensão de terra e nunca a viram ou nem passaram por ela. Há outras que
dizem serem suas certas mulheres, e estas convivem com outros homens.
As pessoas não procuram, em sua vida, fazer o que consideram o bem, e
sim a maneira de poder dizer do maior número possível de coisas: é "meu". Agora estou persuadido de que nisso reside a diferença essencial entre nós e os homens."
Tolstoi