2 de mar. de 2013

A última folhinha verde

Há muito tempo atrás, no Hemisfério Norte, um rei estava muito doente, porém, mais forte do que a doença que lhe consumia, era o profundo desânimo que lhe faltava à alma.

O rei havia desistido de viver.

Sua filha vinha vê-lo todos os dias e tentava animá-lo, relembrando dos bons momentos da vida, mas em vão, ele não reagia.

O rei passava os dias inteiros na cama, olhando para a janela à sua frente e observando uma grande árvore que lentamente perdia suas folhas, por conta do outono que chegara.

Em uma manhã, o rei olhou ternamente para sua filha, dizendo:

__ “Sabe, filha, quando aquela árvore perder a última de suas folhas, terá chegado a minha hora de morrer..."

__Que é isso pai? Que tolice! Por que amarrar o seu destino ao destino de uma árvore?

__Mas o rei não a ouviu, tão absorvido estava em sua melancolia.

A filha compreendeu naquele instante que em alguns momentos, as palavras se esvaziam e não dão mais conta de acender a luz no coração das pessoas.

Assim que o pai adormeceu, a moça entrou no quarto com um pincel e um potinho de tinta verde. Subiu em um banquinho e pintou no vidro da janela, bem no rumo da árvore que seu pai olhava, uma folhinha verde. À medida que o outono avançava e o inverno aproximava, as folhas da árvore desprenderam-se todas e saíram dançando ao vento...

O rei observava cuidadosamente todos os seus movimentos, em especialmente, certa folhinha verde muito teimosa e persistente, que não se movia do lugar e ficava agarrada a árvore, não importava o quão forte fosse o vento, quão enchente fosse a chuva.

A neve cobriu a árvore com um manto branco, e de sua cama, o rei havia atado o fio da vida àquela folhinha verde e continuava olhando-a fixamente, agarrando-se à folhinha verde que o rei atravessou o inverno de sua doença e o inverno de sua alma.

Quando a primavera resplandeceu e outras milhares de novas folhinhas cobriram a árvore, àquela pequena folha verde ficou perdida entre tantas outras, e o rei reencontrou seu ânimo, sua vontade de viver e ficou de pé, como não o persistia há muito tempo

Ao entardecer daquele dia, enquanto limpava a folhinha pintada na janela a filha pensou:

__ “Espero que, algum dia, se o desânimo tomar conta do meu ser, alguém consiga oferecer uma folhinha verde, para que eu possa receber, através dela, a seiva da vida."

Mente suícida

Quero cortar meus pulsos e ver o sangue escorrendo até a última gota;
Pensei em pular de um prescípicio muito alto e sentir cada osso se quebrar, cada ligamento se destender ao tocar o chão, quem sabe assim a morte me levaria;
Pensei em ver meu corpo definhando de fome, só para ver até que ponto eu suportaria.
Nada disso é maior do que a dor que sinto aqui dentro de mim, me chicoteando a todo momento derramando invisivelmente meu sanque;
Nada disso é mais forte do que a solidão e sofrimento que se alojou em mim desde o meu nascimento. Descobri que se a pessoa não tem esse negócio que chamam de amor ao seu lado, nada faz sentido, tudo é desgraça.
Hoje a única coisa que eu quero é que a morte venha me buscar.
Estou cansada daqui, eu não sou daqui e aqui nada tenho, venho através dos tempos tentando ter esperanças. Agora estou tão cansada de tudo.
Neste mundo me bastaria uma única pessoa para aquientar todos os meus instintos suícidas, uma única pessoa no mundo inteiro me bastaria, uma pessoa que fosse minha, essas coisas que chamam por aí de amor. Eu precisava de alguém que estivesse comigo sempre para dividirrmos juntas toda alegria e dor.
Por algum motivo fui privada disso. Todos me abandonaram, inclusive a morte e esta é a única que me importa no momento.
Nada mais me importa além de morrer.
Ninguém nunca secou e nunca secará minhas lágrimas, estou secando de falta de amor. Não farei falta a nenhuma pessoa na face da terra. Quero sair daqui. Quero morrer. Por Deus, por quealquer coisa eu quero morrer, eu quero morrer simplesmente.


Deusely Libório